O Brasil pode enfrentar um dos episódios mais intensos de El Niño das últimas décadas. Provocado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, o fenômeno altera a circulação atmosférica e interfere no regime de chuvas e temperaturas. Em 2026, sua possível intensidade excepcional, popularmente chamada de Super El Niño, acende um alerta também para a construção civil, especialmente pela diferença dos impactos esperados entre as regiões brasileiras.
Segundo boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) em 30 de setembro, existe 95% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro. No Sul, a preocupação se concentra no aumento do risco de cheias, enquanto o centro-norte pode enfrentar agravamento da seca e maior risco de incêndios. São condições distintas que exigem respostas igualmente diferentes de moradores, profissionais e gestores de obras.
Nas regiões sujeitas a chuvas intensas, coberturas, calhas, sistemas de drenagem e edificações em áreas inundáveis merecem atenção especial. Já onde predominam calor e estiagem, ganham importância o conforto térmico, a disponibilidade de água e os cuidados com materiais expostos à radiação solar. Em ambos os cenários, a manutenção e o planejamento precisam considerar as características locais, não apenas o calendário habitual das estações.
Para obras em andamento, o clima também interfere na execução. Chuvas podem interromper concretagens, pinturas e serviços externos, enquanto temperaturas elevadas exigem atenção à cura dos materiais e às condições de trabalho. Antecipar essas situações ajuda a organizar cronogramas e reduzir problemas que poderiam surgir durante a execução.
A intensidade prevista para o El Niño em 2026 reforça a importância de incorporar as características climáticas regionais às decisões de construção e manutenção. Preparar uma edificação para chuvas intensas exige cuidados diferentes daqueles necessários em períodos prolongados de calor e seca. Em um país de dimensões continentais, compreender essas particularidades é fundamental para reduzir vulnerabilidades e preservar o desempenho das construções.
Fonte: INMET.