A construção civil segue abrindo vagas e ampliando sua demanda por trabalhadores, mas isso não significa que as empresas consigam preencher todos os postos com facilidade. Em muitos canteiros, a dificuldade está justamente em encontrar profissionais com experiência e qualificação compatíveis com as necessidades atuais. O setor cresce, contrata e, ao mesmo tempo, enfrenta um desafio cada vez mais evidente para formar e renovar sua mão de obra.
Os números mostram que oportunidade não falta. Dados do Novo Caged indicam que a construção criou 12.691 empregos formais somente em julho de 2026 e acumulou 180.449 novos postos entre janeiro e julho. No mês, foi o segundo setor que mais gerou vagas no país. Obras de infraestrutura lideraram as contratações dentro da construção, acompanhadas pela construção de edifícios e pelos serviços especializados.
Ao mesmo tempo, encontrar trabalhadores para ocupar determinadas funções tornou-se um desafio. Em agosto, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) chamou atenção para o envelhecimento da mão de obra e para a dificuldade de repor profissionais na mesma velocidade em que parte deles deixa a atividade. Pedreiros, serventes e outros trabalhadores continuam necessários, enquanto novas formas de construir também ampliam a procura por profissionais preparados para lidar com sistemas, equipamentos e processos mais modernos.
A abertura de novas vagas é apenas uma parte desse desafio. Formação profissional, atualização técnica e capacidade de atrair trabalhadores passam a integrar a própria estratégia de crescimento das empresas. Na programação do Concrete Show 2026, a CBIC colocou em pauta justamente a relação entre qualificação profissional e adoção de novas tecnologias e sistemas construtivos. Quanto mais o canteiro evolui, maior a importância de combinar experiência prática com novas competências.
O crescimento das contratações e a falta de mão de obra não são movimentos contraditórios. Eles mostram um setor que continua demandando trabalhadores enquanto atravessa uma mudança de geração, métodos e qualificações. O desafio dos próximos anos estará justamente em aproximar as oportunidades existentes das pessoas capazes de ocupá-las e construir caminhos para que novos profissionais encontrem espaço em uma atividade cada vez mais técnica.
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego.
Fonte complementar: CBIC.
Fonte complementar: CBIC.